Resumo rápido: As principais tendências do mercado de alimentos 2027 envolvem mudanças nos hábitos alimentares com o uso de medicamentos GLP-1, maior atenção ao preço, crescimento das marcas próprias, aplicação prática da inteligência artificial e novos canais de venda. Essas mudanças já influenciam decisões sobre porções, embalagens, sortimento, formulação e formas de chegar ao consumidor. Estar na Anuga Select Brazil é uma forma de acompanhar esse cenário de perto e transformar tendências em negócios, ao reunir marcas, compradores e profissionais de diferentes áreas do mercado de alimentos e bebidas.
Índice
- 2027 começa nas decisões de hoje
- GLP-1, proteína e porções menores entram na mesma conversa
- Quanto o consumidor está disposto a pagar em 2027?
- Da marca própria ao tamanho da embalagem, o varejo revê suas escolhas
- Depois dos testes com IA, chega a hora de colocar a tecnologia para trabalhar
- A mesma refeição, cada vez mais canais para comprá-la
- O que 2026 já conta sobre o mercado de alimentos em 2027?
2027 começa nas decisões de hoje
As tendências do mercado de alimentos 2027 começaram a aparecer bem antes da virada do calendário. Em 2026, medicamentos à base de GLP-1 chegaram ao carrinho de compras por meio de novos hábitos alimentares, a pressão sobre o orçamento aumentou a atenção ao preço e as marcas próprias conquistaram consumidores. Inteligência artificial, delivery e novos formatos de venda também passaram a interferir diretamente nas decisões das empresas.
Os movimentos acontecem em um segmento de enorme peso na economia brasileira. O varejo alimentar faturou R$ 1,145 trilhão em 2025, considerando supermercados, atacarejos, minimercados, e-commerce, lojas de conveniência e hortifrutis, segundo o Ranking ABRAS 2026. O valor equivale a 9,02% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
O tamanho dessa operação também torna qualquer mudança de comportamento relevante. Uma embalagem menor, uma troca de marca, um pedido feito pelo aplicativo ou uma preferência alimentar que chega a milhões de pessoas pode alterar sortimento, volume vendido, formulação e negociação com compradores.
Quem está planejando 2027 já encontra sinais suficientes para rever algumas decisões. Cinco deles merecem atenção.
GLP-1, proteína e porções menores entram na mesma conversa
Ozempic, Wegovy e outros medicamentos da classe dos análogos de GLP-1 levaram uma discussão originalmente ligada à saúde para dentro das empresas de alimentos e bebidas.
Uma pesquisa da Nestlé realizada com 320 brasileiros de 18 a 50 anos, das classes A, B e C e que mantêm algum cuidado com alimentação e corpo, encontrou 25% de usuários de medicamentos dessa categoria. Outros 18% disseram já ter utilizado. Entre os usuários, 95% afirmaram buscar uma alimentação mais saudável e 59% tinham acompanhamento nutricional.
Os efeitos comerciais começam a ficar mais claros quando se observa o que acontece no carrinho. Nos Estados Unidos, a pesquisa da PwC mostrou que, nos lares com usuários de GLP-1, o gasto com supermercado caiu 5,5%. A composição das compras também mudou. Entre os usuários atuais, 61% disseram comprar menos doces e 56% reduziram snacks salgados. No sentido contrário, 44% passaram a comprar mais frutas e vegetais frescos, 35% aumentaram a aquisição de proteínas embaladas e 34%, de proteínas frescas.
Restaurantes também aparecem nessa conta. O levantamento registrou redução de 8,7% nos gastos com restaurantes de serviço rápido após seis a oito meses de uso dos medicamentos. Entre usuários atuais e antigos, 35% gostariam de encontrar porções menores por preços proporcionalmente mais baixos e 32% procuram meia porção ou pratos compartilhados sem cobrança adicional.
São números dos Estados Unidos e refletem o comportamento daquele mercado. A pesquisa brasileira indica, ainda assim, que o GLP-1 já alcançou uma parcela relevante do público acompanhado e pode influenciar escolhas por aqui.
A discussão comercial para 2027 envolve quantidade e composição. Se parte dos clientes reduz o volume consumido, produtos com proteína, fibras e outros atributos nutricionais podem disputar uma fatia maior da alimentação diária. Embalagens individuais e porções menores também merecem ser observadas com mais atenção, principalmente quando preservam uma boa relação entre preço e entrega nutricional.
O impacto varia bastante entre categorias. Doces, bebidas açucaradas e snacks enfrentam questões diferentes das encontradas por iogurtes, refeições prontas ou alimentos proteicos. A leitura do fenômeno precisará chegar a cada produto e ocasião de consumo, em vez de se limitar à constatação de que o consumidor está mais preocupado com a saúde.
Quanto o consumidor está disposto a pagar em 2027?
A NielsenIQ destacou a inflação dos alimentos e o endividamento entre os fatores associados à queda no volume de compras no Brasil. O estudo Full View 2026 mostrou que as famílias estão fazendo de tudo para economizar, cortando gastos, trocando o consumo fora de casa pelo e-commerce e ajustando prioridades. Até remédios para emagrecimento e bets entraram na briga por esse mesmo bolso.
A fidelidade às marcas também balançou com essa sensibilidade aos preços. Apenas 12% dos consumidores dizem que continuam comprando a mesma marca não importa o valor da etiqueta. Uma promoção, uma embalagem menor ou uma alternativa mais em conta podem levar o cliente a trocar de produto. O grande desafio do setor de alimentos é provar o valor do produto para um consumidor que compara tudo o tempo todo.
Entrar nessa disputa exige olhar atento para sortimento, gramatura e promoção. Reduzir o tamanho da embalagem vai diminuir o valor que sai do bolso na hora, mas o preço por quilo continua ali, visível para quem faz conta. Já o pacote maior exige um desembolso inicial mais alto e pode funcionar melhor para quem consegue concentrar as compras do mês.
Para completar, sabor, preço e qualidade seguem no topo das prioridades em alimentos e bebidas, enquanto a busca por hábitos saudáveis é o fator que mais cresce, segundo dados recentes da McKinsey. O consumidor quer mais proteína, ingredientes de primeira e praticidade, mas sem estourar o orçamento. Em 2027, vencer no mercado vai depender diretamente de entregar essa equação completa por um preço que realmente faça sentido no carrinho.
| Movimento observado | O que os dados de 2026 mostram | Decisão que entra no planejamento de 2027 |
| GLP-1 e nutrição | 25% do público pesquisado pela Nestlé usa análogos de GLP-1 | Rever porções, composição nutricional e ocasiões de consumo |
| Pressão sobre o orçamento | Só 12% manteriam suas marcas habituais independentemente do preço, segundo a NIQ | Reavaliar sortimento, gramaturas, preço e proposta de valor |
| Marca própria | Segmento cresce em média 9,2% ao ano no Brasil | Avaliar portfólio próprio e parcerias de produção |
| IA | Só 2% das empresas pesquisadas pela TraceGains têm processos de P&D totalmente digitalizados | Integrar dados antes de ampliar aplicações de IA |
| Foodservice digital | Apps respondem, em média, por 58% das vendas via delivery nos estabelecimentos pesquisados | Planejar cardápio e operação para diferentes canais |
Da marca própria ao tamanho da embalagem, o varejo revê suas escolhas
A busca por preços mais competitivos encontra outro movimento muito forte nas gôndolas, que é a expansão das marcas próprias. Dados da NielsenIQ mostram um crescimento médio de 9,2% ao ano no Brasil. A penetração desses produtos nos lares chama atenção, alcançando 34% das famílias, com quase 70% dos consumidores enxergando um excelente custo-benefício na categoria.
O interesse do varejista nesse movimento faz todo sentido. Criar uma linha própria dá liberdade para ajustar fórmula, posicionamento, embalagem, preço e ainda garantir exclusividade dentro das lojas. Além disso, interfere na negociação com as marcas tradicionais, já que a comparação de valores acontece ali, lado a lado na prateleira.
No setor de alimentos, essa estratégia vai desde os itens mais básicos da cesta até opções saudáveis, práticas e de maior valor agregado. Para as empresas que fabricam esses produtos, o crescimento das marcas próprias amplia a possibilidade de produzir para terceiros, com exigências de capacidade produtiva, padronização, segurança dos alimentos e flexibilidade para atender às especificações de cada cliente.
As embalagens também entram direto nesse cálculo do varejo. A busca por um valor final menor na hora do caixa esquenta a discussão sobre porções e gramaturas, e a popularização dos remédios para emagrecimento do tipo GLP-1 entra também nessa conversa sobre o tamanho ideal das porções. Praticidade, facilidade no transporte e redução do desperdício também influenciam a escolha do formato.
Na gôndola, a decisão passa pela combinação entre marca, tamanho, preço e ocasião de consumo em cada categoria.
Depois dos testes com IA, chega a hora de colocar a tecnologia para trabalhar
A inteligência artificial foi um dos temas mais quentes no meio corporativo nos últimos anos. No setor de alimentos e bebidas, o ano de 2026 deixou bem evidente a diferença entre apenas testar uma ferramenta e realmente integrá-la à rotina do negócio.
Uma pesquisa da TraceGains com mais de 400 profissionais mostrou que 40% deles apontam a falta de integração entre sistemas e o excesso de dados espalhados como as maiores barreiras para ganhar agilidade. Para avançar no uso da IA, a falta de confiança na precisão das informações ainda limita a adoção da tecnologia.
O estudo trouxe outro dado que chama atenção. Embora 83% das marcas pesquisadas estivessem aumentando os investimentos em novos produtos, apenas 2% contavam com processos de Pesquisa e Desenvolvimento totalmente digitalizados.
Hoje, a IA já consegue dar suporte em pesquisa, formulação, análise de mercado, projeções, documentação e desenvolvimento de itens. Só que a entrega depende da qualidade do que entra no sistema. Fichas técnicas perdidas em planilhas, informações de ingredientes ilhadas e históricos sem padrão limitam bastante o potencial de automação segura.
Até porque, na indústria de alimentos, um deslize custa caro. Mexer numa receita envolve controle de alergênicos, normas regulatórias, custos, estoque de matéria-prima e perfil sensorial. Ganhar velocidade só vale a pena se houver rastreabilidade total e validação técnica.
Por isso, a cobrança deve se concentrar nos resultados. O uso da IA precisa aparecer no dia a dia, seja na redução do tempo gasto em uma reformulação, no acesso mais rápido a dados seguros sobre insumos ou no intervalo entre a criação de um produto e sua chegada à prateleira.
Essas sim são métricas que interessam, muito mais do que simplesmente listar quantas plataformas a empresa contratou.
A mesma refeição, cada vez mais canais para comprá-la
A forma como o brasileiro escolhe onde comprar comida também merece atenção no planejamento de 2027. A projeção da Abrasel indica que bares e restaurantes devem fechar 2026 faturando R$ 540 bilhões, um avanço perto de 9% sobre os R$ 495 bilhões de 2025. Em agosto, o setor registrou alta de 7,4% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, emplacando onze meses seguidos de crescimento.
Só que o faturamento traz apenas um pedaço do cenário. Os caminhos para alcançar o cliente se multiplicaram. Um estudo encomendado pela 99Food junto à Abrasel revela que 86% dos estabelecimentos com delivery atendem por aplicativos, que já concentram, em média, 58% dessas vendas. Na retaguarda, o dado traz um ponto de atenção: 78% das casas preparam os pratos do salão e as entregas na exata mesma linha de produção.
Ou seja, uma única cozinha precisa dar conta de ocasiões de consumo totalmente opostas, sem nem sempre ter sido planejada para essa dinâmica.
A concorrência pela refeição também envolve outros formatos de venda. Os supermercados investem forte em rotisseria e refeições prontas. As lojas de conveniência capturam o público dos lanches rápidos. Já os restaurantes dividem forças entre salão, retirada e entregas. O cliente decide com base em preço, horário, deslocamento e conveniência do momento.
Essa mistura de canais altera a estratégia de quem vende alimentos. Um item pronto para consumo concorre tanto na gôndola gelada do mercado quanto na tela do app de entregas na hora do almoço. Da mesma forma, uma bebida pode ser comprada no supermercado para abastecer a despensa, na loja de conveniência para consumo na hora ou no combo do delivery.
O varejo alimentar brasileiro reúne supermercados tradicionais, atacarejos, mercadinhos de bairro, e-commerce, conveniência e hortifrutis em uma estrutura gigante. Paralelamente, no consumo fora de casa, o fortalecimento do delivery multiplica os pontos de contato ao longo do dia.
Por isso, o desafio comercial para 2027 passa por definir onde cada produto performa melhor. Formato de embalagem, margem, tamanho da porção e até a formulação do item podem exigir ajustes para funcionar bem em cada canal.
O que 2026 já conta sobre o mercado de alimentos em 2027?
Os movimentos observados ao longo de 2026 mostram um consumidor mais criterioso na forma como escolhe, compra e consome alimentos. Preço continua relevante, mas divide a decisão com composição nutricional, conveniência, tamanho da porção e adequação a diferentes ocasiões de consumo.
A leitura para 2027 está nos detalhes. Uma mudança que parece pequena no carrinho pode exigir revisão de sortimento, embalagem ou formulação. Um novo hábito alimentar pode afetar categorias de maneiras distintas. E a multiplicação dos canais exige saber onde, como e em qual formato o cliente espera encontrar determinado produto.
Para as empresas, 2027 começa com essas decisões já na mesa. E quem pretende colocar novos produtos, formatos e propostas diante dos compradores terá um encontro importante logo no início do ano. De 6 a 8 de abril, a Anuga Select Brazil reúne o mercado de alimentos e bebidas no Distrito Anhembi, em São Paulo. Em 2026, a feira recebeu mais de 14 mil visitantes, participantes de 74 países e mais de 550 marcas, além de 2.500 reuniões realizadas por meio do programa de compradores convidados.
Se a sua empresa quer fazer parte do que estará nas prateleiras, nos cardápios e nos diferentes pontos de vendas daqui pra frente, este é o momento de garantir seu espaço. Seja expositor da Anuga Select Brazil 2027, apresente seus produtos diretamente ao mercado e encontre compradores em busca das próximas novidades do setor.
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Perguntas frequentes
Quais tendências devem marcar o mercado de alimentos em 2027?
Entre os principais movimentos estão os efeitos do GLP-1 sobre os hábitos alimentares, a maior atenção ao preço, o crescimento das marcas próprias, o uso prático da inteligência artificial e a multiplicação dos canais de venda no varejo e no foodservice.
Como o uso de medicamentos GLP-1 pode afetar o mercado de alimentos?
O consumo de porções menores e a procura por proteínas, fibras e alimentos com melhor composição nutricional podem influenciar categorias, formatos de embalagem, formulações e ocasiões de consumo.
Por que as marcas próprias devem continuar em destaque em 2027?
As marcas próprias já chegam a 34% dos lares brasileiros e encontram consumidores atentos à relação entre preço e qualidade. Para o varejo, elas também possibilitam trabalhar portfólio, posicionamento, embalagem e faixas de preço próprias.
Como as empresas de alimentos podem se preparar para 2027?
O planejamento deve considerar mudanças no comportamento de compra, sensibilidade ao preço, preferências nutricionais e diferenças entre canais. Sortimento, porções, embalagens, formulações e uso de dados estão entre os pontos que merecem ser avaliados para o próximo ano.