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Proteína e fibras abrem caminho para uma nova geração de alimentos e bebidas

Proteína e fibras estão cada vez mais presentes no carrinho dos consumidores e também nas novidades que chegam às prateleiras. Hoje, esses nutrientes aparecem com destaque nas embalagens de uma variedade cada vez maior de produtos e já fazem parte da alimentação do dia a dia.

No Brasil, essa mudança já aparece nas escolhas de compra. Uma pesquisa da AtlasIntel apontou que três em cada dez brasileiros levam em conta o destaque de proteína na embalagem. Os resultados no varejo seguem a mesma direção. Dados da Scanntech em parceria com a McKinsey indicaram, em 2025, crescimento de 21% nas vendas de cereais proteicos, 16% nos iogurtes proteicos e 14% nos leites saborizados com proteína.

Por trás dessa procura estão hábitos que vêm mudando aos poucos. Há mais atenção ao que se come, interesse por alimentos funcionais e, claro, uma rotina em que praticidade continua contando bastante. É nesse encontro que proteína e fibras vêm conquistando espaço e abrindo novas possibilidades para os produtos que chegam ao mercado.

Proteína lidera, mas as fibras também entram em cena

Durante muito tempo, produtos com alto teor de proteína estiveram ligados principalmente à suplementação esportiva, mas agora esse apelo se espalhou pelo consumo cotidiano e aparece em produtos voltados a diversos públicos.

De acordo com dados da Mordor Intelligence, o mercado global de proteínas registrou uma receita de US$ 24,49 bilhões em 2024, com projeção de crescimento para US$ 32,42 bilhões até 2029. A expansão acompanha a maior prática de atividades físicas, o envelhecimento da população e a preocupação com a manutenção da massa muscular.

As fibras seguem um caminho parecido e vêm conquistando mais atenção nos lançamentos. O levantamento publicado pela Maximum Boxing mostrou que as buscas por “alimentos com fibra” no Google chegaram a 247 mil no último ano, acompanhando o interesse pela saúde intestinal e pelos benefícios associados ao consumo desse nutriente.

Proteína e fibras também ganharam destaque nas embalagens e se tornaram argumentos de diferenciação. O desafio agora está em transformar esse interesse em produtos equilibrados, saborosos e funcionais, que atendam diferentes rotinas e perfis de consumo sem perder a simplicidade e a praticidade que fazem sentido no dia a dia.

Algumas categorias já dão boas pistas do que começa a aparecer nas prateleiras:

O que já está chegando às prateleiras
Categoria O que está aparecendo
Bebidas Proteína, fibras prebióticas e suporte digestivo
Lácteos Iogurtes proteicos, fibras e probióticos
Snacks Proteína, fibras e grãos integrais
Café da manhã Cereais, granolas e opções congeladas enriquecidas
Bakery Pães e produtos assados com fibras e maior teor proteico
Refeições Mais proteína, porções ajustadas e ingredientes funcionais

 

GLP-1 traz novas questões para o desenvolvimento de alimentos

A popularização dos medicamentos GLP-1 adicionou outra variável às mudanças de comportamento alimentar. A redução do apetite observada entre parte dos usuários pode afetar o tamanho das refeições, a frequência dos lanches e a escolha do que entra no carrinho.

Dados da PwC indicam que 61% dos usuários entrevistados passaram a comprar menos doces e 56% reduziram a aquisição de snacks salgados. Em outras categorias, o movimento seguiu na direção contrária. Cerca de 44% aumentaram a compra de produtos frescos, 35% ampliaram a de proteína embalada e 34% passaram a consumir mais fontes frescas de proteína.

Algumas dessas preferências já existiam antes da popularização dos medicamentos, mas o avanço do GLP-1 trouxe mais atenção ao tamanho das porções, à densidade nutricional e ao que oferecer a consumidores que comem menos e escolhem com mais cuidado o que vai compor a refeição.

De que forma as empresas estão se preparando para essa revolução

Se parte dos consumidores está comendo menos e prestando mais atenção ao que coloca no prato, as empresas precisam acompanhar essa mudança. E muitas já mostram que entenderam o recado.

Nos Estados Unidos, a Nestlé criou uma linha de refeições pensada para usuários de medicamentos GLP-1 e pessoas em processo de controle de peso. São porções menores, adaptadas à redução do apetite, com alto teor de proteína e opções que também são fontes de fibras. A companhia continua pesquisando novas formulações para esse público, incluindo proteínas, colágeno e outros nutrientes.

A Hershey também acompanha essa transformação e vem ampliando opções sem açúcar e sua presença em outras categorias de snacks. A linha Zero Sugar, por exemplo, multiplicou suas vendas por mais de quatro entre 2020 e 2025, enquanto a empresa investe em ferramentas para identificar mudanças de comportamento e acelerar o desenvolvimento de produtos.

Há respostas bem diferentes para uma mesma mudança de consumo. Algumas companhias criam linhas específicas, outras reformulam produtos conhecidos ou procuram novas categorias para ampliar o portfólio. Proteína, fibras, redução de açúcar e porções menores já aparecem com mais frequência nessas decisões.

Também existe espaço para explorar ocasiões menos óbvias. Bebidas à base de café enriquecidas com proteínas e outros nutrientes mostram como atributos funcionais podem entrar em hábitos já consolidados, seja no café da manhã, no pós-treino ou naquele intervalo durante o trabalho.

O mercado brasileiro amplia as apostas em proteína e fibras

O ritmo de lançamentos no Brasil mostra que a aposta já chegou a categorias bem diferentes, com exemplos que ajudam a enxergar até onde essa ideia pode chegar. Já há pão com 12 gramas de proteína a cada duas fatias e o dobro de fibras da versão tradicional, além de snacks de parmesão com 16 gramas de proteína por pacote. São produtos conhecidos, presentes na rotina, que recebem uma nova proposta sem exigir que o consumidor mude completamente seus hábitos.

A embalagem participa diretamente dessa conversa com o consumidor. Uma quantidade elevada de proteína estampada na frente pode despertar curiosidade na primeira compra, mas comunicar bem os atributos do produto é cada vez mais importante para conquistar atenção.

Alegações nutricionais também precisam ser compreendidas rapidamente em toda a comunicação, principalmente quando há vários benefícios disputando um espaço pequeno no rótulo. Quanto mais simples for entender o que aquele produto oferece e por que ele pode fazer sentido na rotina, melhor.

O que vem depois da onda da proteína

A indústria de alimentos já prepara uma nova leva de produtos em que a proteína virou o centro de tudo. A pergunta agora é o que ainda pode surgir a partir daí.

Boa parte dessas ideias chega às feiras de negócios quando começa a sair do papel. É ali que novos ingredientes, tecnologias, formulações e produtos encontram compradores, distribuidores, fornecedores e parceiros interessados em descobrir o que pode ganhar espaço nas próximas gôndolas.

A Anuga Select Brazil é um dos principais encontros do setor de alimentos e bebidas no país e coloca essas discussões frente a frente com o mercado. Entre lançamentos, novos fornecedores e tendências de consumo, a feira aproxima quem está desenvolvendo novidades de quem busca produtos, parcerias e oportunidades para os próximos anos.

A próxima edição acontece de 6 a 8 de abril de 2027, no Distrito Anhembi, em São Paulo, reunindo temas que já influenciam os próximos lançamentos, como proteína, fibras, funcionalidade e novas respostas às mudanças no consumo.

Quer apresentar sua marca, encontrar novos parceiros e acompanhar de perto as transformações do mercado de alimentos e bebidas? Saiba como expor na Anuga Select Brazil 2027.

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