A consolidação de green food e clean label não acontece por acaso. Esses movimentos ganham espaço porque traduzem, de forma prática, uma mudança estrutural na relação entre consumidor, indústria e alimento. O que antes ficava restrito a nichos específicos agora começa a influenciar decisões estratégicas de grandes marcas, redefinindo portfólios, critérios de inovação e até a forma como os produtos se apresentam no ponto de venda.
Ao observar o comportamento de compra nos últimos anos, fica evidente que saúde, transparência e propósito passaram a orientar escolhas. O consumidor quer entender o que está no rótulo, de onde vem cada ingrediente e quais impactos aquele produto gera no próprio corpo e no ambiente. É nesse cenário que green food e clean label se consolidam como respostas diretas a essa demanda, conectando bem-estar individual, responsabilidade ambiental e confiança na indústria.
Clean label e green food: o que são e como se complementam
Apesar de caminharem juntos, clean label e green food atuam em frentes distintas da cadeia de valor. O clean label se concentra na clareza das informações, na simplificação das formulações e na forma como os ingredientes são apresentados ao consumidor. Já o green food amplia o olhar para práticas agrícolas, impacto ambiental, uso responsável de recursos e segurança alimentar ao longo de toda a produção.
O movimento clean label surgiu de forma quase simultânea na Europa e nos Estados Unidos, como resultado da busca por alimentos mais naturais, sustentáveis e fáceis de compreender. Ele responde a uma exigência direta do consumidor: rótulos mais curtos, objetivos e sem termos técnicos que dificultem a leitura.
Quando o tema é green food, o foco está em padrões ambientais e de segurança rigorosos. Em muitos mercados, vai além do conceito de orgânico ao permitir o uso controlado de insumos, desde que respeitem critérios ambientais, rastreabilidade e equilíbrio ecológico. O ponto de convergência entre os dois movimentos está na transparência e na construção de confiança ao longo da cadeia alimentar.
Como transparência e sustentabilidade estão redefinindo a indústria de alimentos
Fabricantes de alimentos e bebidas passaram a destacar nos rótulos atributos como “feito de frutas”, “sem adição de açúcares”, “feito com cereais integrais” ou “ingredientes orgânicos”. Essa comunicação traduz mudanças reais nas formulações e também no relacionamento com fornecedores e parceiros agrícolas.
Uma pesquisa organizada pelo GNT Group em 10 países revelou que dois terços dos consumidores costumam verificar a lista de ingredientes antes da compra. O estudo mostrou ainda que o termo “natural” está diretamente associado à ausência de conservantes, corantes, adoçantes e aromatizantes artificiais. Esse comportamento ajuda a explicar por que clean label e green food avançam de forma integrada, já que o consumidor associa rótulos simples a escolhas mais responsáveis.
No Brasil, esse movimento ainda aparece com mais força entre consumidores de maior renda, impulsionado por maior acesso à informação e maior disposição para pagar por produtos alinhados a esses valores. Esse perfil, no entanto, começa a se ampliar à medida que a educação alimentar evolui e a informação ganha mais destaque nas embalagens.
Rotulagem nutricional no Brasil e os impactos no desenvolvimento de produtos
A atualização das regras de rotulagem nutricional pela ANVISA acelerou essa transformação no mercado brasileiro. A obrigatoriedade de alertas frontais para produtos com alto teor de açúcar adicionado, gordura saturada ou sódio alterou a forma como o consumidor compara produtos e toma decisões no ponto de venda.
Esse avanço regulatório também impacta diretamente o desenvolvimento de portfólio. Indústrias passaram a rever receitas, reduzir açúcar, ajustar perfis nutricionais e buscar ingredientes mais naturais para evitar os selos de advertência. A redução de açúcar se consolidou como uma das principais tendências associadas tanto ao clean label quanto ao green food, conectando saúde, transparência e percepção de qualidade.
Mesmo sem uma regulamentação específica para o termo clean label no Brasil, o conceito é amplamente compreendido como rótulos claros, concisos e fáceis de entender. Essa clareza fortalece a relação de confiança com o consumidor e contribui para o posicionamento das marcas no médio e longo prazo.
O que orienta as estratégias de green food e clean label hoje
- Transparência como valor: informações claras no rótulo e comunicação consistente sobre origem, processos e impacto.
- Cadeias produtivas responsáveis: escolha de fornecedores, rastreabilidade e práticas agrícolas alinhadas a critérios ambientais e de segurança.
- Formulações alinhadas à saúde: redução de aditivos artificiais, açúcar e ingredientes críticos, sem comprometer qualidade e desempenho do produto.
- Inovação aplicada: uso de tecnologia, digitalização e dados para garantir eficiência, controle e credibilidade ao longo da cadeia.
Os dados reforçam esse avanço. Segundo a Innova Market Insights, 45% dos brasileiros buscam reduzir ingredientes artificiais na alimentação. O Instituto Akatu, em parceria com a GlobeScan, aponta que 64% dos consumidores no país estariam dispostos a pagar mais por alimentos saudáveis e produzidos de forma sustentável. Já o Sebrae destaca que o número de empresas com produtos vegetarianos, sem glúten ou orgânicos cresceu 98%, movimentando cerca de R$ 100 bilhões.
Dados consolidam a força global de green food e clean label
No cenário internacional, green food e clean label se consolidam como vetores estratégicos de inovação. A Innova Market Insights indica que, em 2025, quase um em cada dois consumidores no mundo opta por alimentos e bebidas com rótulos limpos, priorizando transparência, saúde e sustentabilidade.
No mesmo período, 30% dos lançamentos globais de alimentos e bebidas apresentaram alegações de rótulo limpo, com destaque para a categoria de lanches. O mercado global de produtos clean label deve atingir US$ 45,54 bilhões em 2025, com crescimento médio anual de 6,51% até 2030, segundo a Mordor Intelligence.
O avanço do green food acompanha esse ritmo. Na China, a certificação de alimentos verdes conta com políticas públicas e testes rigorosos. Na União Europeia e nos Estados Unidos, novas exigências sobre rotulagem, embalagens e impacto ambiental elevam os padrões de comercialização, influenciando cadeias globais de fornecimento.
Inovação verde, tecnologia e novos modelos produtivos
No Brasil, o crescimento do green food se apoia em iniciativas como agricultura regenerativa, proteínas vegetais e alternativas, alimentos upcycled, redução de desperdício, embalagens inteligentes e verdes, além da digitalização da agricultura e das cadeias de suprimentos.
Essas soluções respondem a consumidores mais atentos aos impactos ambientais e também ajudam a indústria a lidar com desafios como eficiência produtiva, rastreabilidade e segurança alimentar. Ferramentas digitais e inteligência artificial ganham espaço no controle da origem dos ingredientes, no monitoramento de qualidade e na comunicação transparente com o mercado.
Consumidores mais jovens e de maior renda lideram a demanda por alimentos verdes, influenciados por consciência de saúde, preocupação ambiental e qualidade percebida. Preço, conveniência e confiança na rotulagem ainda funcionam como barreiras, o que reforça a necessidade de estratégias de comunicação claras e consistentes.
Os desafios incluem custos de produção mais elevados, complexidade regulatória e necessidade constante de inovação. Empresas que avançam nesse cenário investem em parcerias com fornecedores certificados, rastreabilidade digital e estratégias de comunicação que traduzem valor, propósito e impacto real.
Conexões estratégicas para avançar em green food e clean label
É nesse ambiente de troca e negociação que a Anuga Select Brazil se posiciona como um ponto de encontro relevante para a indústria de alimentos e bebidas. A feira reúne especialistas, marcas e decisores que atuam diretamente na construção de portfólios mais alinhados à sustentabilidade, à transparência e às novas exigências do consumidor.
Além do networking qualificado, o evento permite conhecer fornecedores, tecnologias e soluções aplicáveis ao desenvolvimento de produtos, à rastreabilidade da cadeia e à comunicação de valor das marcas. O contato direto com tendências globais e práticas consolidadas ajuda empresas a tomar decisões mais consistentes e conectadas à realidade do mercado.
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